12 agosto, 2018

Clara Nunes - Macunaíma - Portela 1975


Viva Clara Claridade!!! 


Arte, Cultura e Humor!

ClaraNunesVEVO Publicado em 17 de nov de 2009




Claro que seus sambas são antológicos David Correa Correa. É impossível uma coletânea de sambas que pelo menos Macunaíma e Das Maravilhas do Mar não sejam obrigatórios. Eu ainda considero Incrível Fantástico Extraordinário e Hoje tem Marmelada indispensáveis. Portela é um celeiro de poetas e todos tem lugar ao sol dos privilegiados, mas vc David pelos serviços prestados já tem seu lugar na sombra. És o compositor que marcou indelevelmente a Portela e seus componentes.



CLARA CLARIDADE, Candeia, David Correa - LP Canto das Três Raças, 1976

Foi brincar Carnaval, em 1975, o “herói de nossa gente”. Deitado em sua rede, viu a águia portelense voar entre as árvores da floresta brasileira. Sabemos de sua história por causa do papagaio que conhecia suas frases e seus feitos e tudo revelou ao homem que ficou para nos contar.
Mário de Andrade acocorou-se em cima de umas folhas, ponteou na violinha e botou a boca no mundo para cantar na fala impura o que viveu Macunaíma. E foram Davi Corrêa e Norival Reis que fizeram um samba de enredo para que ele saísse das páginas de um livro fechado para encantar sua gente a céu aberto.
O anti-herói, que desde cedo manifestou sua preguiça e passou a demonstrar sua personalidade travessa, foi abandonado pela mãe e engravidou Ci, que perdeu o filho e virou estrela, deixando um talismã com Macunaíma. Numa rapsódia cujo enredo se desenvolve em torno do “muiraquitã”, o talismã que lhe foi dado por Ci e que ele precisava resgatar por tê-lo perdido em uma briga, o “herói sem nenhum caráter” foi atrás de Piaimã, o gigante que ficou com seu amuleto, mas não obteve sucesso na recuperação do objeto.

Macunaíma reúne o folclore brasileiro e as ideias das vanguardas europeias, representação do Modernismo na literatura nacional. É, assim, identidade por muitos desconhecida, é encontro de raças e é símbolo de cultura.
Sendo a reunião disso tudo, o “filho do medo da noite” desemboca no carnaval carioca, essa enorme manifestação cultural, e, além de se tornar constelação, fica também sendo responsável por um dos nossos sambas mais bonitos – defendido, na Avenida, por Clara Nunes –, que rendeu à Portela o primeiro Estandarte de Ouro em samba de enredo, a segunda vitória do hoje recordista Davi Corrêa.
Por ele ter ido morar no infinito, por ter virado constelação, Mário de Andrade chorou, e confessou isso numa carta enviada a Álvaro Lins: “pouco importa, si muito sorri escrevendo certas páginas do livro: importa mais, pelo menos pra mim mesmo, lembrar que quando o herói desiste dos combates da terra e resolve ir viver ‘o brilho inútil das estrelas’, eu chorei”.
Foi com uma constelação que a Portela, quinta colocada naquele ano, encerrou o desfile, reafirmando tudo o que o autor do livro sentiu, principalmente, na criação dos últimos capítulos. A azul-e-branco mostrou que Macunaíma brilha e comove, assim como resplandecem e encantam as grandes miudezas das nossas gentes.
Blog Portela 1975
“Macunaíma, herói de nossa gente”
Autores: Davi Corrêa e Norival Reis

Portela apresenta
Do folclore tradições
Milagres do sertão à mata virgem
Assombrada com mil tentações
Ci, a rainha mãe do mato, oi
Macunaíma fascinou
Ao luar se fez poema
Mas ao filho encarnado
Toda maldição legou
Macunaíma índio branco catimbeiro
Negro sonso feiticeiro
Mata a cobra e dá um nó
Ci, em forma de estrela
À Macunaíma dá
Um talismã que ele perde e sai a vagar
Canta o uirapuru e encanta
Liberta a mágoa do seu triste coração
Negrinho do pastoreio foi a sua salvação
E derrotando o gigante
Era uma vez Piaimã
Macunaíma volta com o muiraquitã
Marupiara na luta e no amor
Quando sua pedra para sempre o monstro levou
O nosso herói assim cantou
Vou-me embora, vou-me embora
Eu aqui volto mais não
Vou morar no infinito
E virar constelação






1975
"E o homem sou eu, minha gente, e eu fiquei pra vos contar a história. Por isso que vim aqui. Me acocorei em riba destas folhas, catei meus carrapatos, ponteei na violinha e em toque rasgado botei a boca no mundo cantando na fala impura as frases e os casos de Macunaíma, herói de nossa gente. Tem mais não".
Mário de Andrade, no epílogo de Macunaíma.
Assim como no ano anterior, o desfile das grandes escolas de samba do Rio de Janeiro estava marcado para a Avenida Presidente Antônio Carlos. Dessa vez, a única diferença seria a mão invertida do desfile, que deveria acontecer no sentido Avenida Beira-mar/Praça XV, ao contrário de 1974.
O vice-campeonato do ano anterior traz confiança ao departamento cultural dirigido por Hiram Araújo, que, segundo o próprio, começava a apresentar os resultados esperados. A obra de Mário de Andrade, que ainda colhia os frutos do filme, agora seria valorizada pelo samba, maior manifestação popular do Brasil.
Macunaíma era a própria imagem do Brasil, um auto-retrato de nossa sociedade, e é com o objetivo de mostrar essa relação que os 3.500 portelenses, um contingente espantoso, entram na avenida em busca do tão sonhado campeonato.
A história foi dividida em 10 quadros. Uma colorida águia abre o cortejo das 61 alas. Estandartes e alegorias de mão demonstram as diversas tribos, compondo o cenário descrito pelo famoso escritor paulista.
A alegoria do Gigante Piaimã, construída por Cícero Delnero, destaca-se pelos efeitos, causando sensação na platéia. No terceiro carro, a socialite Beki Klabin era destaque, tendo como companhia Clóvis Bornay e Evandro de Castro Lima.
O belo samba de David Correa e Norival Reis é responsável pelo primeiro Estandarte de Ouro em samba-enredo da história da Portela. No carro de som, Silvinho da Portela e Clara Nunes defendem o samba com bastante empenho, auxiliados por Candeia e pelo próprio compositor David Correa. A bateria, redimindo-se dos problemas dos últimos anos, faz uma grande apresentação, obtendo a nota máxima que fugira nos desfiles anteriores.
Uma grande constelação, representando o firmamento, fecha a apresentação da Portela, que deixa a avenida brigando pela conquista do campeonato.
O resultado, entretanto, não foi o esperado. A quinta colocação estava aquém do que o público e a Portela esperavam. A nota mais baixa que a escola obteve foi dada pela jurada de Mestre-sala e Porta-bandeira Tatiana Leskova, nota 7.
Notas obtidas pela Portela no carnaval de 1975:
Alegorias 10
Bateria 10
Comissão de Frente 10
Cronometragem e Concentração 10
Enredo 10
Evolução 9
Fantasias 8
Harmonia 10
Letra do Samba de Enredo 9
Melodia 10
Mestre-Sala e Porta-Bandeira 7
Ficha técnica:
Resultado: 5ª Colocada do Grupo 1, com 103 pontos
Data, Local e Ordem de Desfile: 6ª Escola de 09/02/75, Domingo, Av. Presidente Antônio Carlos
Carnavalesco(s): Hiran Araújo (departamento cultural)
Presidente: Carlos Teixeira Martins
1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Irene e Bagdá
2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira:
Bateria:
Contigente: 3500 Componentes em 61 Alas
Samba enredo:
autores: David Corrêa e Norival Reis




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28 junho, 2018

Flor del desierto



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Eu tento não te esquecer e sim te reconhecer. Ter a sorte de sentir palavras de grande valor, porque elas são acompanhadas pelo brilho da bravura infinita. Este é um post sobre os livros que ficam nas prateleiras e que, antes que você os esqueça, o universo, o destino ou um amigo que lhe envia um belo vídeo falando sobre ele. Então reviva o seu interesse como molas que se sentem tarde depois de um inverno rigoroso. Eu falo de uma jóia no deserto da África, uma história escrita por uma mulher Waris Dirie. Livro cheio de beleza selada por olhos que olhavam para o céu para conseguir dizer o suficiente em um ambiente onde as chances de continuar vivo após qualquer protesto eram quase nulas.
Tenho em mente que o feminismo ainda é necessário, o bom e o mal entendido, mesmo aquele que brinca com as palavras porque a realidade obriga e a verdade, não sobra. Talvez para pessoas como Waris, uma mulher neste caso, mas possa ser perfeitamente homem, em qualquer campo sua missão traz muitas pessoas, o feminismo de que falamos é geralmente curto. E esta é apenas uma opinião de um escritor que se ela é chamada de escriba, ela não se importa. Além disso, se com o seu próximo romance ele chegar aos corações dos leitores como aconteceu com o primeiro, se eles a chamam de escritor, não seria ofensivo, mesmo naquela circunstância, até eu saber o que eles me chamam.
Eu conto a vocês sobre o livro Flower of the desert: Depois de uma enorme AMO ÁFRICA e uma beleza que passa pelas páginas, Waris Dirie conta uma história difícil, a dele. Ele foi vítima de mutilação genital feminina com apenas 5 anos. Essa tradição terrível ainda é praticada em muitos países ao redor do mundo e é praticada tanto por muçulmanos quanto por cristãos. De acordo com os registros mantidos pelas Nações Unidas, ainda há muitas garotas que são vítimas desse crime atroz.
Aos 13 anos de idade, a fim de escapar de um casamento forçado a um homem mais velho que seu pai, Waris decidiu fugir deixando seus pais e sua terra natal. Após uma travessia perigosa no deserto da Somália e muitas tribulações, ela finalmente chegou a Londres para trabalhar como empregada doméstica na embaixada somali e depois no McDonalds.
Aos 18 anos, ela foi descoberta por um dos fotógrafos de moda mais reconhecidos da Grã-Bretanha, Terence Donovan, que achou que seria uma modelo perfeita. Assim, Waris começou sua carreira prodigiosa como modelo e rapidamente se tornou uma celebridade internacional.
Waris Dirie apareceu nas páginas de alta moda como "Vogue" e a revista "Marie Claire".
Da mesma forma, ele recebeu um papel em um filme de James Bond, blockbuster "The Living Daylights", onde Timothy Dalton desempenhou o papel de agente 007.
Mais tarde, a BBC fez um documentário intitulado "A Nomad em Nova York", sobre a vida de Waris Dirie para a série "O dia que mudou minha vida".
Em 1996, durante uma entrevista com a BBC Waris Dirie ele falou primeiro da mutilação genital feminina como abuso infantil e crime contra os direitos humanos, a partir desse momento tudo mudou e ficou tão Waris lançou uma luta contra a MGF e carreira como ativista de direitos humanos.
Em 1997, o Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, nomeou Waris Dirie como Embaixador Especial da ONU para a eliminação da mutilação genital feminina.
Waris Dirie, na sua qualidade de Embaixador Especial para as Nações Unidas, tem viajado extensivamente em todo o mundo, ele tem participado em inúmeras conferências sobre o tema da mutilação genital feminina, reuniu-se com líderes nacionais, políticos, ganhadores do Prêmio Nobel e estrelas internacionais, a fim de sensibilizar e obter apoio para erradicar a MGF.
Todas as pessoas neste planeta sonham com o meu sonho: acabar com a mutilação genital feminina - para sempre!
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Cowboy Fora da Lei. Raul Seixas e Cláudio Roberto.






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Mamãe, não quero ser prefeito
Pode ser que eu seja eleito
E alguém pode querer me assassinar
Eu não preciso ler jornais
Mentir sozinho eu sou capaz
Não quero ir de encontro ao azar

Papai não quero provar nada
Eu já servi à Pátria amada
E todo mundo cobra minha luz

Oh, coitado, foi tão cedo
Deus me livre, eu tenho medo
Morrer dependurado numa cruz

Eu não sou besta pra tirar onda de herói
Sou vacinado, eu sou cowboy
Cowboy fora da lei
Durango Kid só existe no gibi
E quem quiser que fique aqui
Entrar pra história é com vocês
Raul Seixas - Cowboy Fora Da Lei 
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25 maio, 2018

Raul Seixas - O Dia em Que a terra Parou e Ouro de Tolo




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Raul Seixas foi um dos pioneiros do rock brasileiro. Foram 21 discos lançados em 26 anos de carreira. Seu primeiro disco de sucesso foi Krig-ha, Bandolo!, de 1973, que trouxe "Ouro de Tolo" e Metamorfose Ambulante. Compunha em dupla com Paulo Coelho, que depois virou escritor.
A Música do Dia é o primeiro grande sucesso de Raul Seixas: Ouro de Tolo.
Produção e apresentação - Luiz Cláudio Canuto


Divulgação
Raul Seixas
Raul Seixas

Letras

Essa noite eu tive um sonho
De sonhador
Maluco que sou, eu sonhei
Com o dia em que a Terra parou
Com o dia em que a Terra parou
Foi assim
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa
Como que se fosse combinado em todo
O planeta
Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém ninguém
O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não tava lá
Dona de casa não saiu pra comprar pão
Pois sabia que o padeiro também não tava lá
E o guarda não saiu para prender
Pois sabia que o ladrão, também não tava lá
E o ladrão não saiu para roubar
Pois sabia que não ia ter onde gastar
No dia em que a Terra parou (êê)
No dia em que a Terra parou (ôô)
No dia em que a Terra parou (ôô)
No dia em que a Terra parou
E nas Igrejas nem um sino a badalar
Pois sabiam que os fiéis também não tavam lá
E os fiéis não saíram pra rezar
Pois sabiam que o padre também não tava lá
E o aluno não saiu para estudar
Pois sabia o professor também não tava lá
E o professor não saiu pra lecionar
Pois sabia que não tinha mais nada pra ensinar
No dia em que a Terra parou (ôô)
No dia em que a Terra parou (ôô)
No dia em que a Terra parou 
No dia em que a Terra parou
O comandante não saiu para o quartel
Pois sabia que o soldado também não tava lá
E o soldado não saiu pra ir pra guerra
Pois sabia que o inimigo também não tava lá
E o paciente não saiu pra se tratar
Pois sabia que o doutor também não tava lá
E o doutor não saiu pra medicar
Pois sabia que não tinha mais doença pra curar
No dia em que a Terra parou (oh yeah)
No dia em que a Terra parou (foi tudo)
No dia em que a Terra parou (ôô)
No dia em que a Terra parou
Essa noite eu tive um sonho de sonhador
Maluco que sou, acordei
No dia em que a Terra parou (oh yeah)
No dia em que a Terra parou (ôô)
No dia em que a Terra parou (eu acordei)
No dia em que a Terra parou (acordei)
No dia em que a Terra parou (justamente)
No dia em que a Terra parou (eu não sonhei acordado)
No dia em que a Terra parou 
No dia em que a Terra parou (no dia em que a terra
Parou)

Compositores: Claudio Roberto Andrade De Azeredo / Raul Seixas
Letra de O dia em que a terra parou © Warner/Chappell Music, Inc

Eu devia estar contente porque eu tenho um emprego
Sou o dito cidadão respeitável e ganho quatro mil cruzeiros por mês
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz porque consegui comprar um Corcel 73
Eu devia estar alegre e satisfeito por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na cidade maravilhosa
Eu devia estar sorrindo e orgulhoso por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa
Eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso, abestalhado, que eu estou decepcionado
Por que foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto: e daí?
Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar
E eu não posso ficar aí parado
Eu devia estar feliz pelo Senhor ter me concedido o domingo
Pra ir com a família no jardim zoológico dar pipocas aos macacos
Ah, mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco
É você olhar no espelho, se sentir um grandesíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
E que só usa 10% de sua cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte
Para nosso belo quadro social
Eu é que não me sento no trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador

Compositores: Raul Seixas / Raul Santos Seixas
Letra de Ouro de tolo © Warner/Chappell Music, Inc

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