Cinco dias depois do duplo terremoto que atingiu o litoral venezuelano — magnitudes 7,2 e 7,5, em sequência —, o número oficial de mortos chegou a 1.719, mas a ONU estima mais de 50 mil desaparecidos. A oposição, que mantém registro próprio, fala em mais de 55 mil. Em La Guaira, a área mais castigada, moradores reclamam da demora dos socorristas e da falta de combustível para mover máquinas pesadas — apesar de o país ter as maiores reservas de petróleo do mundo. Cerca de 3 mil socorristas estrangeiros, de países como Turquia, Chile, México e Estados Unidos, atuam na região.
A tensão entre população e governo cresce a cada dia. A presidente interina Delcy Rodríguez foi criticada depois de interromper o trabalho de uma equipe internacional de resgate para agradecer aos socorristas em rede nacional, com vítimas ainda soterradas. Já o ministro do Interior, Diosdado Cabello, foi acusado pela deputada republicana cubano-americana María Elvira Salazar de impedir que uma equipe americana seguisse até onde havia vítimas porque ele queria antes terminar de gravar um vídeo para suas redes — episódio que o Departamento de Estado dos EUA classificou como "um mal-entendido infeliz" já superado.
A líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz e exilada desde dezembro, disse que pretende voltar ao país "muito em breve" — segundo agências internacionais, ela chegou a tentar embarcar para a Venezuela na semana passada, mas recuou após sinal contrário do governo Trump.
Irã nega reunião marcada com EUA, mas técnicos vão a Doha
Equipes técnicas dos dois países devem se encontrar esta semana no Qatar, mas Teerã afirma que não há negociação direta agendada com Washington nos próximos dias. O enviado de Trump, Jared Kushner, e o negociador Steve Witkoff lideram a missão americana. O impasse ocorre dentro de um prazo de 60 dias acertado em 17 de junho para tentar transformar o cessar-fogo que interrompeu quatro meses de guerra em um acordo permanente sobre o programa nuclear iraniano.
No fim de semana, houve novas trocas de mísseis entre os dois lados, o que elevou o preço do petróleo. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, anunciou que US$ 6 bilhões dos US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados no Qatar serão liberados. O Irã também rejeitou a oferta da França de ajudar a desminar o Estreito de Hormuz, dizendo que a tarefa cabe só a Teerã.
Suprema Corte dos EUA amplia poder de Trump sobre agências federais
Em decisão de 6 a 3, a Suprema Corte derrubou um precedente de 91 anos e deu a Trump liberdade para demitir dirigentes de agências reguladoras independentes sem necessidade de justificativa — caso que envolvia a ex-comissária da Comissão Federal de Comércio (FTC) Rebecca Slaughter. Há uma exceção: por 5 a 4, a corte manteve no cargo a diretora do Federal Reserve (banco central americano) Lisa Cook, que Trump tenta afastar sob acusação não comprovada de fraude em financiamento imobiliário. A corte disse que ela tem direito a contestar as acusações antes de ser demitida, mas não fechou a porta a uma nova tentativa do presidente — que prometeu agir "imediatamente" para removê-la. Para analistas, a divisão da corte reflete uma tentativa de blindar a autonomia do Fed sobre política monetária, mesmo enquanto amplia o poder presidencial sobre o restante do funcionalismo federal.
De la Espriella promete reaproximar governo central das regiões
O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, afirmou que fará reuniões de transição em todos os departamentos do país antes de assumir, em 7 de agosto — segundo ele, um esforço para reaproximar o governo central de prefeitos e governadores que entraram em choque com a gestão de Gustavo Petro. De la Espriella também disse que vai levar ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos denúncias de suposta ligação entre o governo Petro e grupos armados ligados ao narcotráfico — acusação que o governo atual nega. O presidente eleito ainda anunciou que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) destinou US$ 60 milhões não reembolsáveis para apoiar a transição.
Ativista indiano completa seis anos preso sem julgamento
Umar Khalid, professor e um dos rostos dos protestos de 2019 contra uma lei de cidadania vista como discriminatória contra muçulmanos na Índia, deu ao The Guardian sua primeira entrevista desde que foi preso, em 2020, sob acusação de articular os tumultos religiosos que mataram 53 pessoas em Délhi naquele ano — uma acusação que ele nega e qualifica de fabricada. Khalid, crítico do governo nacionalista hindu de Narendra Modi, segue sem data de julgamento; pedidos de soltura foram negados repetidamente. Organizações de direitos humanos consideram o caso um símbolo da perseguição a opositores na Índia.
Comcast separa a NBCUniversal e Hollywood já especula compradores
A Comcast confirmou a cisão que tornará a NBCUniversal — dona de estúdios, do streaming Peacock, de parques temáticos e da emissora NBC — uma empresa independente a partir do próximo ano. Analistas de Wall Street já apontam Netflix e Amazon como possíveis interessados em comprar ativos da nova companhia, embora regras fiscais da operação devam adiar qualquer negociação por pelo menos dois anos.