O advogado Abelardo de la Espriella, 47, fundador do movimento Defensores da Pátria há menos de um ano, venceu o senador Iván Cepeda, candidato do governo Petro, por cerca de 247 mil votos — margem de menos de um ponto percentual — na segunda rodada das eleições presidenciais colombianas de domingo. Sem experiência política prévia, De la Espriella assume em 7 de agosto um país com participação eleitoral recorde: 26,3 milhões de votos, 63% do eleitorado. A vitória encerra o primeiro governo de esquerda da história colombiana e dá início a uma transição brusca de orientação. De la Espriella prometeu cortar 40% do gasto público, encerrar os diálogos de paz com grupos armados iniciados por Petro, construir megapresídios nos moldes de El Salvador e buscar apoio dos governos Trump e israelense para operações militares contra o narcotráfico. Ele se elegeu com suporte do ex-presidente Álvaro Uribe e dos partidos de centro-direita que ficaram de fora da primeira rodada. Cepeda reconheceu o resultado preliminar da apuração, mas anunciou a impugnação de 33 mil seções eleitorais e disse aguardar o escrutínio oficial, previsto para esta semana. O presidente Petro recusou-se a reconhecer a derrota e afirmou, via X, que "nenhum vencedor pode ser proclamado" antes do resultado final. Observadores internacionais e a Missão de Observação Eleitoral descreveram a jornada como tranquila e bem conduzida. EUA e Irã fecham roteiro para acordo em 60 dias; conflito no Líbano complica A primeira rodada de negociações de alto nível entre EUA e Irã encerrou-se na madrugada desta segunda-feira no resort suíço de Bürgenstock, com mediação do Qatar e do Paquistão. O comunicado conjunto afirma que as partes concordaram com um "roteiro para um acordo definitivo em 60 dias" e criaram um mecanismo conjunto para interromper os combates no Líbano. As negociações foram conduzidas pelo vice-presidente americano JD Vance com o chanceler iraniano Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf. O Irã obteve, segundo Araghchi, isenções para exportações de petróleo e petroquímicos e a liberação parcial de ativos congelados. O estreito de Hormuz — bloqueado pelo Irã no fim de semana em resposta a ataques israelenses no Líbano — ficou como ponto crítico: apenas cinco embarcações passaram pelo estreito no domingo, ante 26 no dia anterior. As conversas foram marcadas por tensão desde o início: o presidente Trump ameaçou retomar os bombardeios contra o Irã se Teerã não contiver o Hezbollah no Líbano, o que levou a delegação iraniana a recusar-se temporariamente a voltar à sala de negociações, segundo a agência iraniana Tasnim. Vance classificou os atritos como parte natural do processo. Discussões técnicas continuam ao longo desta semana em Bürgenstock. A questão nuclear — o nó mais difícil — ficou para etapa posterior. Reino Unido: Starmer deve anunciar saída e abrir caminho para Burnham O primeiro-ministro britânico Keir Starmer, que assumiu o cargo há menos de dois anos, deve anunciar hoje o prazo de sua renúncia, abrindo caminho para que Andy Burnham — eleito deputado pela circunscrição de Makerfield na semana passada — assuma o comando do Partido Trabalhista e, muito provavelmente, o governo. Burnham tomará posse como parlamentar às 14h30 no horário local. Starmer passou o fim de semana em Chequers refletindo sobre sua situação e retornou a Londres sem que o número 10 confirmasse oficialmente o anúncio. A expectativa é de uma transição sem disputa interna — uma "coroação", nos termos usados dentro do próprio partido. |