Amácio Mazzaropi (São Paulo, 9 de abril de 1912 — 13 de junho de 1981), mais conhecido coo Mazzaropi, foi um ator, humorista, cantor, produtor independente, roteirista e cineasta brasileiro. Considerado um dos maiores fenômenos de popularidade e bilheteria do cinema nacional, Mazzaropi imortalizou-se por conta de seu icônico personagem, o "jeca" ou o "caipira", uma figura que, embora inspirada no personagem de Monteiro Lobato, ganhou contornos próprios, complexos e profundamente conectados com a identidade e o imaginário de uma parcela significativa do povo brasileiro. Ao longo de quase três décadas de dedicação ao cinema, de 1952 a 1980, idealizou, produziu, escreveu, dirigiu e estrelou trinta e duas produções cinematográficas, exercendo um controle autoral e empresarial notável sobre suas obras, por meio de sua própria produtora, a PAM Filmes - Produções Amácio Mazzaropi, fundada em 1958.
Sua obra, inicialmente subestimada ou mesmo desprezada por setores da crítica cinematográfica hegemônica, especialmente durante o período de efervescência do Cinema Novo, que buscava uma linguagem e temáticas distintas, foi progressivamente reavaliada. Atualmente é reconhecida por sua inegável importância sociológica, cultural e, sobretudo, por sua singular capacidade de estabelecer uma comunicação direta e afetiva com o grande público, constituindo um dos raros exemplos de sucesso comercial contínuo e autossustentável na complexa história do cinema brasileiro.
A fundação da PAM Filmes em sua fazenda no município de Taubaté foi um divisor de águas, permitindo-lhe não apenas a liberdade criativa, mas também o controle sobre a produção e, fundamentalmente, sobre a distribuição de seus filmes, um feito notável e incomum no cenário cinematográfico nacional.[3] Após sua morte, este local, impregnado de sua história e energia criativa, foi transformado no Museu Mazzaropi. A instituição tornou-se um vital centro de preservação e divulgação de seu vasto legado, atraindo anualmente milhares de visitantes, fãs e pesquisadores dedicados a compreender a profundidade e o alcance do fenômeno Mazzaropi
Sócrates e Maradona Copa 1982
[Cinemas Antigos] Cine Aladin (Tatuapé, São Paulo, SP) |
A novela contava a história da bebê Heleninha responsável por despertar as mais diversas sensações, dentro da sua completa inocência. Parecia ser o destino da pequena Heleninha desde o seu nascimento, que acontece dentro do carro de Tonico Ladeira ( Tony Ramos ) , quando a quase mamãe Ana (Isabela Garcia) pega uma estratégica carona para fugir da polícia. Estava selada a união de Ana e Tonico. De motorista a parteiro, Tonico fica irremediavelmente ligado a Heleninha, ainda mais quando Ana desaparece.
Foram grandes os destaques do elenco encabeçados por Tony Ramos que fazia seu primeiro personagem cômico na tv. Foi uma mudança total de estilo e chocou positivamente os telespectadores que viram ele na pele do Cristiano dois anos antes no remake de Selva de Pedra (1986) da Janete Clair. Tonico passou por todas as situações possíveis e mais engraçadas em cenas, desde fazer o parto da Ana dentro de um carro, até ficar pelado em plena praia.
Isabela Garcia foi catapultada ao posto de grande estrela graças a Ana, uma personagem que já fugia dos padrões das mocinhas normais, ela não era nem tão indefesa muito menos inocente.
Guilherme Leme e Guilherme Fontes que vinham de pequenos papéis em novelas anteriores, fizeram dos irmãos Rico e Rei personagens inesquecíveis em sua carreira.
Tal qual fez com Heleninha, Ana também foi abandonada pela mãe quando criança. Hoje sua mãe é a rica socialite Laura, vivida pela saudosa Dina Sfat. Como numa estratégia do destino a Heleninha acaba vindo parar nas mãos de Laura, que resolve lutar pela menina, numa espécie de compensação pelo que fez com a filha no passado. A Laura foi o último papel de Dina Sfat na TV, que morreu em março de 1989, um mês depois do término da trama.
Cinco crianças se revezaram no papel de Heleninha, em diferentes fases do crescimento do bebê. Mas foi a menina Beatriz Bertu (da última fase) que conquistou a todos - elenco, produção e os telespectadores.
Também no elenco: Maria Zilda, Débora Duarte, Armando Bogus, Inês Galvão, Léo Jaime, Carla Marins, Silvia Buarque, Nicette Bruno, Patricya Travassos, Rodolfo Bottino, Márcia Real, Sebastião Vasconcellos, Françoise Furton, Paulo Figueiredo, Silvia Bandeira, Tarcísio Filho, Paulo Guarnieri, Irving São Paulo, Ilva Niño, entre muitos outros.
No dia 13 de junho de 1977, ia ao ar o último capítulo da novela "Duas Vidas", no extinto horário das 20h da TV Globo.
Escrita por Janete Clair, teve como mote central a construção do metrô do Rio de Janeiro, refletindo o impacto social das grandes obras públicas do período.
Se a grande maioria das novelas tem o seu vilão, podemos dizer que o vilão dessa vez, foi a construção do metrô.
De acordo com pesquisa realizada e texto escrito por Vitor Antunes para o blog Mofista, em 2022, as obras do metrô no Rio de Janeiro foram tudo menos consensuais. Casas e estabelecimentos comerciais foram desapropriados em larga escala; prédios históricos desapareceram do mapa urbano para dar lugar às galerias subterrâneas do progresso. O exemplo mais emblemático talvez seja o do Palácio Monroe, demolido em nome de um futuro que se anunciava inevitável.
Quando “Duas Vidas” foi ao ar, as obras avançavam especialmente pelos bairros da Zona Norte carioca. No Estácio, famílias inteiras foram despejadas, prédios implodidos, histórias interrompidas. Houve quem resistisse até o último instante. Em 22 de maio de 1977, O Globo entrevistou um morador que sintetizou o drama com crueza: “Só saio daqui com a demolição. Não sei para onde ir. Fico por enquanto aqui, com meu filho e meu cachorro. Quando isso aqui cair eu quero assistir ao espetáculo. (Meu prédio) Vai ser implodido?”
Os transtornos impostos às famílias atingidas pelas obras do metrô foram profundos. Algumas empobreceram drasticamente, perdendo não apenas a casa, mas também a rede de apoio construída ao longo de décadas. Outras foram removidas de seus bairros de origem — Centro ou Zona Sul — e transferidas para o Conjunto Antares, em Santa Cruz, a cerca de 60 quilômetros de distância. A cidade se reorganizava à força, empurrando seus habitantes para as bordas.
Janete Clair decidiu mergulhar nesse universo. A autora se debruçou sobre a vida dessas pessoas cujas casas foram desapropriadas: acompanhou a duração dos processos, o cálculo — e o atraso — das indenizações, o sentimento de desamparo. Para isso, contou com o apoio da jornalista Tânia Carvalho, repórter que, quase 30 anos depois, escreveria a biografia de Betty Faria, publicada em 2006.
Na novela, a rua condenada ao desaparecimento chamava-se Nonato França. Popularmente, porém, acabou rebatizada como Rua do Menelau, em referência a seu morador mais ilustre, o grego Menelau, interpretado por Sadi Cabral. Ali viviam também Leda, o neto Téo (Carlos Poyart) e o aspirante a cantor Dino (Mário Gomes). Uma pequena comunidade, prestes a ser engolida pelo traçado urbano.
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