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10 junho, 2026

Destaques de Inteligência artificial

 

Web Summit debate o papel da América Latina na produção de IA

América Latina, globo terrestre

Olá!

Há uma tensão silenciosa que atravessa a indústria global de tecnologia e está dominando os debates do Web Summit Rio 2026.

“Por duas décadas, a história da internet, do celular e da inteligência artificial foi escrita pelos Estados Unidos. Mas essa história agora está sendo desenhada em outro lugar, em países do Sul Global”, disse Paddy Cosgrave, cofundador e CEO do evento, no Riocentro.

Na edição de 2026, o tema da inteligência artificial volta a dominar, mas não mais como uma ferramenta a ser adotada pelas empresas. Agora, as discussões se concentram em soberania digital, infraestrutura de IA, exploração de terras raras, regulamentação e até disputas geopolíticas: pela primeira vez, a América Latina tenta se posicionar não apenas como consumidora, mas como potencial produtora de tecnologia em escala global.

Apesar de representar 6,6% do PIB mundial, a América Latina responde por apenas 1,1% dos investimentos globais em IA . Um dos desafios é como ampliar a participação da região nesse mercado.

Em um painel na segunda-feira (8), o ator, diretor, escritor e ativista Lázaro Ramos afirmou ter uma relação conflituosa com a IA e defendeu a criação de mecanismos de regulação para proteger direitos autorais, empregos e a saúde mental de usuários.

Já Connor Leahy, diretor da ControlAI US, alertou na terça-feira (9) sobre a importância de regulamentação e verificação internacionais de mecanismos e agentes com uso de “superinteligência artificial” para prevenir desenvolvimento descontrolado. Para o especialista, o risco de desenvolvimento descontrolado de tal tecnologia pode levar o mundo a situações de grave risco, equivalentes ao observado em ambientes de guerra nuclear e de pandemias.

“Na minha visão, se construirmos um sistema que seja infinitamente mais inteligente do que a humanidade, do que os seres humanos, que não saibamos como controlar, que não tenha os nossos melhores interesses em mente, então, ‘acabou o jogo’ [game over]”, afirmou.

Também está na hora de pensar em novos consensos para além do “Consenso de Washington” , que, segundo Andrés Velasco, decano da Escola de Políticas Públicas (Dean of the School of Public Policy, em inglês) na London School of Economics, serviu a seu propósito ao lidar com desafios das economias latino-americanas durante a década de 1980. No entanto, para os tempos atuais e próximos anos, é preciso pensar abarcar desafios que não existiam, há 30 anos, como a transição energética, por exemplo.

Na atualidade, o esporte também deixou de ser apenas uma vitrine para marcas e passou a ocupar um papel estratégico na geração de negócios e no relacionamento com clientes. Segundo Renato Preter, sócio e diretor de Live Marketing da XP, a instituição financeira vê o esporte como uma extensão dos valores que busca transmitir ao mercado, como disciplina, resiliência e visão de longo prazo. “Não enxergamos o esporte apenas como entretenimento. Ele é inspiração, mas sobretudo uma plataforma de geração de negócios”, afirmou.

Durigan cita interesses econômicos das big techs por trás de pressão tarifária dos EUA sobre o Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não é possível descartar a existência de interesses econômicos por trás da decisão adotada pelos Estados Unidos de estabelecer uma eventual tarifa de 25% sobre o Brasil com base na Seção 301.

Segundo ele, em entrevista ao portal UOL, além de fatores geopolíticos e políticos, a discussão envolve a forma como empresas de tecnologia pretendem monetizar ferramentas de inteligência artificial e soluções integradas.

Durigan explicou que, em modelos nos quais assistentes de IA concentrem diferentes serviços, inclusive pagamentos, as transações tenderiam a passar pelos canais das próprias empresas de tecnologia.

No Brasil, porém, o Pix oferece uma alternativa gratuita. Veja mais aqui.

Nova fase da IA amplia vencedores para além das 7 Magníficas, diz J.P. Morgan Asset

A valorização das bolsas americanas em 2026 pode dar a impressão de que o mercado apenas retomou o entusiasmo com as gigantes da tecnologia. Mas, para a diretora-executiva e estrategista de mercados globais do J.P. Morgan Asset Management, Gabriela Santos, a inteligência artificial entrou em uma nova fase.

“Não são só as Sete Magníficas que ganham [nessa nova fase]. Várias outras companhias podem ganhar, incluindo uma participação relevante de empresas de semicondutores da Ásia, especialmente Coreia do Sul e Taiwan”, resume Santos, em entrevista ao ValorConfira mais aqui.

Brasileiros avaliam ‘cases’ para Cannes Lions

Premiar uma campanha em Cannes passou a exigir uma leitura mais atenta do caminho entre a ideia, sua execução e os resultados apresentados. Cinco dos 24 profissionais brasileiros envolvidos no julgamento da edição de 2026 do Cannes Lions, maior premiação global da publicidade, afirmam que os “cases” chegam neste ano com mais comprovações, validações de clientes e explicações sobre o uso de inteligência artificial (IA). O festival acontece entre 22 e 26 de junho, na Riviera Francesa.

A mudança vem acompanhada de um menor volume de inscrições neste ano.

Para Christina Larroude, diretora de marketing da Minalba Brasil, a divisão de bebidas não alcoólicas do Grupo Edson Queiroz, o papel dos executivos de marketing mudou, e eles passaram a ter um campo de trabalho mais amplo. Assim, o marketing serve tanto de bússola como um azeite para lubrificar e integrar todas as áreas de uma empresa, e a inteligência artificial está acelerando dramaticamente essas tarefas.

Euforia com IA lembra cena pré-crise de 29, mas temos mais proteção hoje, diz Sorkin

“Estamos nos transformando numa sociedade de apostas. Mercados de previsão e muito jogo no país são parte do que me preocupa. Esse era o sentimento no final dos anos 1920: de aposta e de curto prazo.”

Quem diz isso é o norte-americano Andrew Ross Sorkin, jornalista, colunista de negócios de The New York Times, coautor da série “Billions” e autor do livro “Too Big to Fail” (finalista do prêmio de Livro de Negócios do Ano do Financial Times), que conversou com o Valor, sobre o seu livro mais recente “1929 - Por dentro da maior crise da história de Wall Street - e como ela abalou o mundo” e sobre semelhanças e diferenças daquela década em relação ao momento atual.

“Os [elementos] similares são as altas recordes da bolsa e a euforia com uma tecnologia que vai mudar o mundo - hoje, a inteligência artificial (IA). Havia um sentimento muito parecido no país e no mundo nos anos 1920. O automóvel estava mudando o mundo. O rádio estava mudando o mundo. A sensação era de que não havia limites, de que aquilo ia durar para sempre. Eles não estavam errados”, afirma.

Entretanto, o nível de endividamento dos americanos hoje é muito menor do que na época. Confira a entrevista aqui.

‘Pandemia’ de telas na infância afeta habilidades profissionais, alertam especialistas

O mundo está diante de uma emergência global que não se propaga por vírus, mas por pixels. O diagnóstico é do renomado pedagogo italiano Francesco Tonucci, criador da Rede Mundial de Cidade das Crianças.

Para ele, o uso precoce e desenfreado de smartphones e tablets na primeira infância, que vai de 0 a 6 anos de vida, já se configura em uma “segunda pandemia” do século XXI e, em sua visão, com traços ainda mais cruéis que a crise sanitária da covid-19.

“A primeira matava mais os idosos, enquanto está condenando as crianças no presente e no futuro”, dispara Tonucci.

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Natália Flach

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