Chegamos ao mês de abril e o país vai ensaiando entrar de vez no clima eleitoral. O presidente Lula (PT) viaja para fora e por dentro do Brasil, em cúpulas internacionais e atos políticos em diversos estados.
Quando tem oportunidade, critica a guerra contra o Irã e o genocídio palestino, e é uma das poucas vozes sensatas a denunciar a falência do atual sistema de governança global representado no desequilíbrio do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Já a extrema direita aposta suas fichas em táticas conhecidas: faz dancinha para humanizar o candidato e pede interferência externa dos Estados Unidos.
A essa altura, depois do bombardeio contra a Venezuela e do tarifaço que atingiu também o Brasil, os ditos “valores americanos” que o senador Flávio Bolsonaro (PL) solicitou nas eleições só podem ser interpretados como um pedido claro de intervenção.
Esses valores não são um fantasma novo; eles nos assombram há décadas. Vivendo mais um 1º de abril e lembrando os 62 anos do golpe militar que derrubou o governo democrático de João Goulart (PTB), isso fica evidente.
O apoio irrestrito dos Estados Unidos aos golpistas não incluiu apenas o financiamento de órgãos de pensamento para estimular oposição a Goulart, nem somente o repasse financeiro a governadores de extrema direita que conspiravam contra o presidente: a Operação Brother Sam previa o deslocamento de um porta-aviões com tropas à costa brasileira, pronto para agir caso as tropas do general Mourão não tivessem êxito na marcha que foi o estopim do golpe.